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quinta-feira, 24 de março de 2011

Poesia?

ALITERAÇÕES E DUAS ONOMATOPÉIAS NO TRIGAL 


                                                                  a Tatiana Machado

O debulho de existir 
É auto-debulho 
Eu não sou trigo 
E no entretanto trago o cigarro apagado 
Se um dia o for tragar 
Será possível torrar o trigal amarelo 
Com o fósforo do devir. 

A existência precedeu a essência 
Porque a essência nunca se decidiu em ser 
O que vem depois do nada é o estampido 
Pois não se morre estalando os dedos 

Certo estou de não ser trigo 
E de que é auto-debulho buscar a essência 
Sem maneira de a ter. 

De mais a mais 
Na triga existência táctil de projétil e aleurit(o) 
Sempre pode o estampido 
Valer pelo ceifar da colheitadeira. 

Zlapt! Stuumm! 

                                                                         junho de 2004.