a Tatiana Machado
O debulho de existir
É auto-debulho
Eu não sou trigo
E no entretanto trago o cigarro apagado
Se um dia o for tragar
Será possível torrar o trigal amarelo
Com o fósforo do devir.
A existência precedeu a essência
Porque a essência nunca se decidiu em ser
O que vem depois do nada é o estampido
Pois não se morre estalando os dedos
Certo estou de não ser trigo
E de que é auto-debulho buscar a essência
Sem maneira de a ter.
De mais a mais
Na triga existência táctil de projétil e aleurit(o)
Sempre pode o estampido
Valer pelo ceifar da colheitadeira.
Zlapt! Stuumm!
junho de 2004.