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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Escusas, como sempre

Caros leitores (fiéis leitores, parcos leitores, condescendentes leitores, amáveis leitores), 

         tenho muitas desculpas pelo período de inatividade. A poupá-los de muita ladainha, vou tentar ir direto ao que interessa, e me explicar brevemente: amanhã publico o final do conto que se passa na África do Sul, "A cor das escovas-de-dentes". Inicialmente eu pretendia colocá-lo aqui em 5 partes, mas transformei em uma as duas últimas que faltavam, por dois motivos: as duas últimas partes já estavam escritas, faltando apenas serem revisadas para serem publicadas. Acontece que perdi minha HD e tudo quanto havia de informação nela (minhas fotos, meus textos, minhas músicas). Logo, tive que reescrever o que já havia escrito, trabalho do cão, pior do que escrever. O outro motivo é que surgiu um concurso de contos e pretendo enviar este de que falo agora para lá. O concurso tem um limite de espaço (quinze páginas em papel A4 em Arial 10, espaçamento 1,5, uma só face), de modo que, também por isso, fui obrigado a reduzir um pouco o tamanho inicial que eu desejara. Precisei, com isso, fazer algumas alterações nos capítulos que já havia publicado, cortando-os um pouco, para não parecer que o fim se torna abrupto (coisa que penso não ter conseguido evitar). De qualquer maneira, como é requisito do concurso que as obras apresentadas sejam inéditas em qualquer meio, vou, depois de uma semana, retirar do ar o conto em questão (bem como outros dois que estão no blogue e vou mandar). Depois de passado o concurso, recoloco este (e os outros) conto em sua versão integral, sem as divisões que inventei para deixar o blogue mais convidativo. 

Quanto aos motivos da ausência, são eles: trabalhei demais, enchi o saco, não tive tempo, problemas de bebida, saúde e remédios, queimou-se-me o notebook, fiquei sem internete, tive depressão, meu cachorro morreu, quebrei a unha do dedão. Peço desculpas, como sempre, contrito,e rogo que me expliquem porque diabos ainda continuam a vir aqui. Se é que ainda alguém vem. Obrigado, de qualquer forma, aos delicados e amorosos leitores que ainda, sob toda essa estupidez do escriba, fazem-me esse agrado terno de me ler, e me deixam quase feliz e com fé na vida. Até amanhã.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Las Quince Líneas

A primeira vez que tomei contato com esse negócio de microestórias foi por volta do ano 1999. Hoje a balbúrdia que já foi grande serenou e no final nem mesmo as iniciativas de microcontos do Marcelino Freire vingaram muito.

Não me recordo onde vi, nem como cheguei até ele, mas o nome que me apresentou a novidade foi Luis Landero, um escritor espanhol nascido por volta da metade do século passado que certo dia inventou um tal “Círculo Cultural Faroni” (que tão pouco sei do que se trata). O caso é que foi lá que eu conheci a idéia de construir histórias em quinze linhas. Havia um prêmio anual em língua espanhola e me recordo que o vencedor de um dos anos descreveu em quinze linhas como Gregor Samsa teria ido, afinal, depois de se transformar num inseto monstruoso trabalhar em sua empresa, onde logo foi congratulado por chegar mais cedo (foi voando) e depois realocado em nova função em função de suas novas características.

Envolvido que estava pela “Jangada de Pedra” do Saramago, à época, me aventurei nas quinze linhas, saiu o que se segue:



O Discóbolo

Ninguém ignora ser Joaquim Sassa um exímio discóbolo, como ficou provado quando lançou uma pedra pesada qual fosse ela dessas maneirinhas. Cansou-se pois de esperar aonde iria ter a península Ibérica, mudada em bote de pedras e resolveu tornar à praia onde um dia descobriu jazer em seu corpo forças que não poderia supor. Então apanhou uma pedra grande, com esforço acomodou-a na mão direita, deixando-a assente em toda a parcela da mão e também por um pedaço do pulso. Com os movimentos de discóbolo, não experiente, mas convencido por resultados de sua competência, tencionou, e o fez, jogar a pedra ao mar cuidando que como outrora fosse ela chapar na água três vezes antes de afundar, já numa distância maior que o singelo recorde mundial dessa modalidade. Não lhe saiu feliz a empresa. A pedra escapou-se-lhe da mão uns centímetros e foi cair no seu pé esquerdo. Irritadíssimo, chutou violentamente a pedra, atitude antes de adolescente lunático do que de homem cabal. Feriu também o pé direito, e não consta que a península tenha parado.

Não por agora, que ando sem paciência, mas pretendo ainda aqui na Bazófia copiar um concurso de relatos breves, mais ou menos dessa maneira para que vocês leitores participem e quem sabe se divirtiam.
p.s. - já sei, já sei que a história do discóbolo tem dezesseis linhas. Mas calculo que seja algum problema com a formatação ou qualquer coisa que o valha. Se não for corrigido prometo desclassificar a história da competição.